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Memória Avaiana
11/06/2010

A taça do mundo também é nossa!


(Félix passa instruções a Caco, no Adolfo Konder.)

Alguém escreveu uma vez que o goleiro ideal jogaria com as mãos nuas, como Félix. Titular absoluto do Fluminense (1968 a 1976), Félix Miéli Venerando foi o goleiro do Dream Team brasileiro da Copa do Mundo de 1970, no México.

Na Copa das Copas, o Brasil possuía o que para muitos ainda é a maior seleção de todos os tempos. No time titular havia nada menos do que cinco jogadores que vestiam a camisa 10 em seus times de origem, Rivelino, Jairzinho, Gérson, Tostão e Pelé, o maior de todos os tempos.

Na constelação brasileira, a única dúvida dos “90 milhões em ação” era se a defesa seria sólida o suficiente para dar retaguarda a um time tão ofensivo. Brito não primava pela categoria e Piazza era volante de origem, improvisado na zaga. No gol, Félix nunca foi unanimidade, muitos preferiam o corintiano Ado, além de contar ainda com Émerson Leão como terceiro goleiro.

Uma injustiça com o goleiro das mãos limpas, que na maior Copa de todos os tempos superou o inglês Gordon Banks, cuja Inglaterra não foi capaz de superar Félix, apelidado de Papel devido a sua magreza e aos vôos espetaculares (voava como um papel...).

Félix pendurou as luvas em 1976, após ter diagnosticado uma calcificação de sete centímetros no ombro direito. A partir daí, virou preparador de goleiro do Fluminense (1977 a 1980) até investir na carreira de treinador de futebol.

Em 1982, ano em que foi campeão da segunda divisão carioca pelo Madureira e após uma passagem vitoriosa pelo Botafogo, Félix foi anunciado como o novo treinador avaiano, em substituição ao interino Cláudio Wagner, no comando do Leão da Ilha desde a saída de Paulo Leão.

Félix assumiu o Avaí em pleno período de Copa do Mundo de 1982, na Espanha, quando o Brasil já havia sido desclassificado. E o tricampeão chegou ao Avaí pregando aos jogadores humildade, dando como exemplo a seleção de Telê Santana, que mesmo produzindo um bom futebol acabou desclassificada.

Naquele ano de 1982, por 18 jogos sob o comando de Félix, a Taça do Mundo também foi um pouquinho nossa...

(Foto: Jornal O Estado, 03/07/1982.).


Felipe Matos é historiador e escreve no blog Minha VidAvaí.



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