A fase final
O Avaí jogou a semifinal contra o Marcílio Dias, enquanto se digladiavam no outro lado o Joinville e o Criciúma, que só então entrou na disputa, pois jogava a Série A do Campeonato Brasileiro. Foram duas vitórias azurras: a primeira em Itajaí, por 3a2, e depois na Ressacada, quando o placar elástico de 5a2 empolgou o torcedor avaiano para a grande final, que seria disputada contra o Joinville, que venceu o Criciúma duas vezes, ambas por 2a0. Na primeira partida da final, na Ressacada, Avaí e Joinville empataram em um gol. A festa tricolor estava pronta para o jogo de volta. Torcedores do Joinville, quando entrevistados antes da partida, falavam somente em goleada, em um tranqüilo passeio do Joinville sobre o jovem time do Avaí. O retrospecto lhes favorecia: além de a última partida disputada no Estádio Ernesto Sobrinho ter terminado em 5a0 para os mandantes, desde setembro de 1985 que o Avaí não vencia naquele estádio. De lá até esta final (período de dez anos), foram 22 partidas disputadas, com 17 vitórias do Joinville e 5 empates, 41 gols contra 11. Estava tudo a favor do Joinville, o retrospecto, o melhor elenco, o estádio lotado... Então entrou em campo o onze azurra. E entraram para a história os noventa minutos seguintes.
A memória daquela noite é das mais doces e amáveis da minha vida. Fomos eu, a minha esposa e o meu filho ouvir o jogo no quiosque do Baiaca (não havia TV a cabo na época, nem os bares da rodada). Estava a uma quadra do Morro do Céu, o mais avaiano dos morros da Ilha, e a uma quadra do Shopping, onde está sepultado o saudoso Estádio Adolfo Konder, que já dormia para a eternidade. Não havia local mais inspirador para ouvir o jogo, então deixei as duas portas do Gol abertas, aumentei o volume, e a bola rolou...
O Avaí saiu na frente, mas o
Joinville logo empatou o jogo. Porém, quando tudo indicava que, mesmo com o
placar favorável, o Joinville atropelaria o Avaí, tudo foi contrário à lógica. O
vento da sorte? Não. A superação. A garra, a vontade, a juventude, o respeito à
camisa é à massa azurra, a empolgação, a certeza da capacidade. O elenco avaiano
foi maior do que ele mesmo. Os inexperientes jovens, guiados por dois colegas
para receber frieza e pelo técnico Rui Guimarães para se acertarem taticamente,
juntaram dentro de si toda a aguerrida sede de vitória, e superaram o
insuperável. Conquistaram o impossível, foram campeões da Copa Santa Catarina de
1995. Uma saga impressionante, mas que foi lentamente esquecida e posteriormente
abandonada.
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Eduardo José Farah
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