Os Heróis
Por Marcos Lacerda Queiroz
O Avaí era uma tentativa desesperada
de se montar um time sem ter dinheiro. Estavam no elenco um grupo de jovens que
contavam com o apoio técnico e psicológico de alguns poucos atletas mais
experientes, mas ninguém renomado. O time era comandado pelo hoje comentarista
Rui Guimarães (que já havia comandado o time anteriormente, montando em 1987 o
elenco que seria campeão no ano seguinte). Como não havia dinheiro, por extensão
não havia salário. Os atletas recebiam pouco e, quando recebiam, era com muito
atraso, geralmente dois ou três meses.
O time era inexperiente, jovem, mal recebia dinheiro, mas tinha alma. E muita. A paixão que emanava do elenco quando pisava no gramado era indescritível. Por mais que faltasse técnica, habilidade, experiência ou mesmo preparo físico, sobrava a garra, a vontade insana e louca de vencer, independente do adversário. Da mesma forma que jogava igual ao Internacional, lanterna isolado sem fazer nenhum ponto, também jogava igual ao Joinville, de sobejo o elenco mais qualificado do torneio. O Avaí não era melhor do que ninguém, nem era pior do que ninguém. Era o Avaí.
Já varridos
da memória dos torcedores comuns, estão ainda hoje vivos e elevados à categoria
de heróis na memória dos abnegados torcedores de então. As três centenas de
torcedores que compareciam aos jogos têm até hoje na memória os guerreiros que
disputaram aqueles jogos.
O goleiro Alex era o símbolo da garra. Avaiano de coração, como quase todo o elenco, pegava com gosto, pegava pelo Avaí, para o Avaí. Cada defesa era um desenho. Não havia a plástica dos grandes artistas do gol, mas uma expressão de vontade que fazia de cada defesa uma epifania, uma aparição graciosa que ficava fotografada na mente do torcedor, para saboreá-la após o jogo. Não era Alex, era o Avaí no gol.
Além de
nomes como Wilcemar, e Ednei, o Avaí defendia-se com nomes memoráveis: Régis, um
verdadeiro leão na frente da zaga, extremamente irreverente fora do campo, mas
um dos símbolos mais marcantes da história do Avaí pela sua garra, seu
desempenho e, sobretudo, pelo seu combate im
piedoso ao atacante adversário. O
lateral artilheiro Kleber, com suas arrancadas fenomenais, Dirlei, outro jovem
avaiano de coração que fez história no elenco avaiano e o experiente volante
Belmonte que, comandando a frente da zaga azurra, orientava e coordenada o
setor, seus desarmes eram perfeitos, sua visão inequívoca. Criticado pela
imprensa e incompreendido por alguns torcedores, que davam mais fé nos
comentaristas esportivos do que nos seus atletas, marcou o período, construiu o
seu nome no Avaí e, já na época, anunciava o que confirmou-se posteriormente:
Belmonte deixou saudades, muitas saudades.
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01/08 - 16:00h
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