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Memória Avaiana
01/03/2010

Heróis Abandonados – Uma conquista impossível (Parte I)


Por Marcos Lacerda Queiroz


 

[Na foto, o pequeno Paulo Ricardo e os atletas Alex e Belmonte, em tarde de treino na Ressacada]

 

            Somente as crianças e os apaixonados acreditavam no que seria a maior saga de superação da história do Avaí. A inocência e a paixão cega, solitárias no fervente concreto do Estádio da Ressacada, isolaram-se da lógica, da história e do juízo, agarraram-se em uma esperança em que somente estas pequenas ilhas de insanidade ,incapazes de compreender porque seria impossível, acreditaram. Este é um pequeno retrato da conquista que, sob o ponto de vista subjetivo de quem vos escreve, foi o maior exemplo de bravura, superação, amor e doação já visto sobre o gramado da Ressacada. Um épico acompanhado pela maior exemplo de sofrimento, humilhação, fé, esperança, paixão, superação e redenção já visto nas arquibancadas. Os poucos que acompanharam, que lá estiveram, sabem muito bem do que eu estou falando: da conquista da Copa Santa Catarina de 1995.

 

            Esta conquista, na qual pouquíssimos acreditavam, hoje está esquecida. Até mesmo o livro publicado por Alexandre Barreto Neto, que na orelha recebe o comentário do atual presidente do clube, João Nilson Zunino, de que “cada jogo, cada gol, cada jogador [...], cada detalhe...” possui muitos detalhes, é um bom arquivo da história do Avaí, mas deixou de lado um detalhe não tão pequeno da nossa história, a conquista da Copa Santa Catarina de 1995. As partidas foram esquecidas, apagadas, a memória foi extinta. O próprio Avaí abandonou esta linda e poética parte da sua história. Nunca um sonho esteve tão distante, e repentinamente foi aproximando-se das mãos e dos corações dos poucos lunáticos que acreditavam. E foi assim que aconteceu.           

 

            Antes de tudo

 

            O Avaí vinha carregado pela dor da humilhação. Rebaixado para a Segunda Divisão do Estadual, disputou este torneio em 1994. Ressurgiu para o Campeonato Estadual de 1995, e até que teve um bom começo, mas voltou a perder o rumo e terminou o segundo turno em penúltimo lugar, não se classificando nem ao menos entre os oito clubes que decidiriam o Estadual. De quebra, sofreu humilhante goleada (4a0) em clássico amistoso realizado na Ressacada, e foi rapidamente eliminado na Terceira Divisão do Campeonato Brasileiro, quando caiu diante do Caxias (RS) com duas derrotas. Começaria a Copa Santa Catarina, contando também com o Figueirense, campeão catarinense de 1994, o Joinville, que acabara de subir à Segunda Divisão do Brasileiro, e o Criciúma, que era o atual campeão e somente entra ria no final da competição, por estar disputando a Primeira Divisão do Brasileiro (na época estes  times não jogavam a Copa Santa Catarina com time misto). 


 * Marcos Lacerda Queiroz é dentista, de DNAzul e um apaixonado pelas histórias do Avaí, seus amigos o chamam de encilopédia ambulante do Avaí.  



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