Por Marcos Lacerda QueirozQual o retorno financeiro para os clubes e para a empresa organizadora?
- A empresa, além de outras fontes, como patrocínios, ficava com a arrecadação das partidas disputadas (no final, nenhuma foi assistida por mais de dois mil torcedores, nem mesmo a decisão), enquanto os clubes receberam um valor pré-determinado por participação no torneio.
A bola rolou, e aí?
- E aí que, logo na primeira fase do “mata-mata” (em partida única), curiosamente os clubes estrangeiros (Nacional, Cerro Portenho, Olímpia) e mais o único brasileiro (o paranaense Coritiba) foram todos eliminados. A Copa Mercosul, na segunda fase, tornou-se um “mini-catarininha”, com os cinco clubes catarinenses permanecendo na disputa.
Santa Catarina era, então, uma superpotência do futebol sul-americano?
- Não. Excetuando o Criciúma, os demais clubes jogavam, no máximo, a Terceira Divisão do Campeonato Brasileiro.
Então, qual a explicação para este êxito monstruoso e louvável por parte dos clubes catarinenses?
- O fato é que, para os clubes visitantes, não era um bom negócio permanecer na competição. Como o retorno financeiro era por participação, não fazia o menor sentido permanecer distante da sede, com gastos com alimentação, hospedagem e outros mais, além de riscos de lesão, quando, a partir do início do torneio, estes gastos não seriam ressarcidos ou recompensados. Ou seja, em poucas palavras, era muito mais negócio receber o dinheiro da participação, jogar a primeira partida e voltar para casa. O problema (ou a solução) foi que este raciocínio era óbvio demais. Resultado: todos os mistos dos clubes visitantes coincidentemente foram “suicidados” na primeira oportunidade.
Conte-me, “à vol d´oiseau”, sobre o suicídio seguinte.
- Não somente os gaúchos davam importância maior ao estadual. Este também
era o pensamento do Avaí. O clube azurra, que havia recém retornado da Segunda
Divisão do Campeonato Catarinense e goleou o Nacional de Montevidéu por 4 a 2,
acreditava que era o momento de sair da competição. Então foi a Joinville
disposto a perder a partida, e foi mais um “suicidado”. A questão foi levantada
antes da viagem para a cidade do norte do estado quando o então técnico do Avaí,
Lauro Búrigo, de alcunha “o bruxo”, deu declarações aos meios de comunicação
locais externando que a vitória em Joinville poderia redundar em um clássico na
final do baldado e natimorto torneio e, como o clássico pela primeira rodada do
Estadual seria jogado somente quatro dias
depois da final da Copa, sendo que a
arrecadação do primeiro clássico seria destinada à empresa organizad o ra, e a do
segundo destinada ao Avaí (o mandante), não seria inteligente continuar jogando
de graça e ainda perder algum dinheiro em seguida. Na ocasião, disse em suas
palavras que não poderia correr o risco de “esvaziar o clássico do estadual”, o
que causaria prejuízos financeiros ao Avaí. A decisão estava tomada: o Avaí
estava fora do campeonato.
* Marcos Lacerda Queiroz é dentista, de DNAzul e um apaixonado pelas histórias do Avaí, seus amigos o chamam de encilopédia ambulante do Avaí.
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