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Memória Avaiana
07/02/2010

Um campeonato fantasmagórico (Parte II)


Por Marcos Lacerda Queiroz


Qual o retorno financeiro para os clubes e para a empresa organizadora?

- A empresa, além de outras fontes, como patrocínios, ficava com a arrecadação das partidas disputadas (no final, nenhuma foi assistida por mais de dois mil torcedores, nem mesmo a decisão), enquanto os clubes receberam um valor pré-determinado por participação no torneio.


A bola rolou, e aí?

- E aí que, logo na primeira fase do “mata-mata” (em partida única), curiosamente os clubes estrangeiros (Nacional, Cerro Portenho, Olímpia) e mais o único brasileiro (o paranaense Coritiba) foram todos eliminados. A Copa Mercosul, na segunda fase, tornou-se um “mini-catarininha”, com os cinco clubes catarinenses permanecendo na disputa.


Santa Catarina era, então, uma superpotência do futebol sul-americano?

- Não. Excetuando o Criciúma, os demais clubes jogavam, no máximo, a Terceira Divisão do Campeonato Brasileiro.


Então, qual a explicação para este êxito monstruoso e louvável por parte dos clubes catarinenses?

- O fato é que, para os clubes visitantes, não era um bom negócio permanecer na competição. Como o retorno financeiro era por participação, não fazia o menor sentido permanecer distante da sede, com gastos com alimentação, hospedagem e outros mais, além de riscos de lesão, quando, a partir do início do torneio, estes gastos não seriam ressarcidos ou recompensados. Ou seja, em poucas palavras, era muito mais negócio receber o dinheiro da participação, jogar a primeira partida e voltar para casa. O problema (ou a solução) foi que este raciocínio era óbvio demais. Resultado: todos os mistos dos clubes visitantes coincidentemente foram “suicidados” na primeira oportunidade.


Conte-me, “à vol d´oiseau”, sobre o suicídio seguinte.

- Não somente os gaúchos davam importância maior ao estadual. Este também era o pensamento do Avaí. O clube azurra, que havia recém retornado da Segunda Divisão do Campeonato Catarinense e goleou o Nacional de Montevidéu por 4 a 2, acreditava que era o momento de sair da competição. Então foi a Joinville disposto a perder a partida, e foi mais um “suicidado”. A questão foi levantada antes da viagem para a cidade do norte do estado quando o então técnico do Avaí, Lauro Búrigo, de alcunha “o bruxo”, deu declarações aos meios de comunicação locais externando que a vitória em Joinville poderia redundar em um clássico na final do baldado e natimorto torneio e, como o clássico pela primeira rodada do Estadual seria jogado somente quatro dias depois da final da Copa, sendo que a arrecadação do primeiro clássico seria destinada à empresa organizad o ra, e a do segundo destinada ao Avaí (o mandante), não seria inteligente continuar jogando de graça e ainda perder algum dinheiro em seguida. Na ocasião, disse em suas palavras que não poderia correr o risco de “esvaziar o clássico do estadual”, o que causaria prejuízos financeiros ao Avaí. A decisão estava tomada: o Avaí estava fora do campeonato.

  

 * Marcos Lacerda Queiroz é dentista, de DNAzul e um apaixonado pelas histórias do Avaí, seus amigos o chamam de encilopédia ambulante do Avaí. 



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