Por Marcos Lacerda QueirozIsto quando vi em um destes almanaques de futebol (*), na relação de títulos conquistados pelo Figueirense, uma Copa Mercosul. Induzindo o leitor a acreditar que esta edição teria alguma relação, por menor que fosse, com o torneio homônimo que foi seqüenciado alguns anos depois, e disputado por grandes clubes do futebol brasileiro e do Cone Sul da América, creio que algumas verdades devem vir à tona, para que esta bobagem não se perpetue como coisa séria.
Para expor tais fatos, vou fazer as “vezes” de entrevistador e entrevistado, primeiro porque sei das perguntas e respostas, e segundo porque, creio, evita que o texto torne-se fastidioso.
A Copa Sul-americana era um torneio oficial?
- Não. O torneio foi organizado pela empresa Estratégia B.
Quais clubes foram convidados a participar do torneio?
- A idéia era que participassem clubes dos três países do Cone Sul, além de um clube do Equador, e mais clubes dos três estados do sul do Brasil (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul).
O Campeonato, então, foi disputado por muitas equipes da América?
- Não. O fiasco começou aí. O clube equatoriano declinou do convite, além dos clubes argentinos, que não deram o menor valor ao torneio. Somente aceitaram participar um clube uruguaio (o outro também não se interessou) e dois paraguaios, todos enviando para o Brasil os seus times mistos (reservas e alguns juvenis). Os times principais ficaram realizando a pré-temporada em seus países.
Mas os brasileiros, pelo menos, se empolgaram!
- Não. Não houve nenhum clube gaúcho interessado (Juventude, Inter e
Grêmio refutaram o convite), sendo que o colorado gaúcho menosprezou tanto o
torneio que, em sua justificativa, alegou que este torneio atrapalharia a
preparação para o campeonato estadual do Rio Grande do Sul. A justificativa
gremista foi similar. Do Paraná, resignadamente, veio somente o
Coritiba.
(*) As referências “sérias” sobre este título do Figueirense normalmente são encontradas em blogs de torcedores do Figueirense, no site do clube ou em sites e almanaques que pedem aos clubes as informações sobre os títulos conquistados. Ou seja, a fonte é sempre o Figueirense.
* Marcos Lacerda Queiroz é dentista, de DNAzul e um apaixonado pelas histórias do Avaí, seus amigos o chamam de encilopédia ambulante do Avaí.
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