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28/01/2010

O preço da desilusão


Por mais que me esforce, não consigo ter aquela vibração com que terminei o ano passado e, diria até, com a qual comecei este ano. Não posso e não vou culpar meu tempo de vida, minha idade, por isso. Ainda, creio, tenho muito oxigênio para gastar nos embalos que a vida me oferece. 

Minha desilusão, essa falta de vibração, está intimamente ligada às coisas que acontecem com o nosso Avaí. De um time vencedor, que jogava por música, apesar de alguns desafinados, viramos um amontoado de jogadores, que correm atrás de melhores dias, mas que já estão em débito para com a nação azurra. 

Também não lhes posso culpar! Afinal, vieram porque foram contratados para jogar. Nosso maior problema está na forma fácil como se descartou um elenco de primeira grandeza. E não me venham com essa história, velha e batida, de que não temos condições de competir com os grandes clubes de centros maiores. Se num ano em que ganhamos tudo, perdemos oito de nossos titulares, imaginem quando batermos à porta do insucesso... 

Comecei o ano com a expectativa cristalina de ver nosso Leão bi-campeão. Hoje, a incerteza tomou conta de nosso time, da direção, e muito provavelmente, da torcida. 

Tudo o que os dirigentes falaram no decorrer de dezembro e início deste ano, foi se modificando paulatinamente. Quer pelo dirigente maior da LA Sports, quer pelo mandatário avaiano nos último oito anos. 

A retórica de que temos um time melhor do que o que foi montado para o Catarinense do ano passado, pode até encontrar respaldo em um determinado tempo, e, principalmente, no papel. Mas, os mesmos dirigentes que nos levaram ao êxtase pelo acesso à Série A, Campeão Catarinense e sexto no Brasileirão, esqueceram que entrosamento não se compra em farmácia... 

Nosso Avaí cresceu. Nossos atletas ganharam visibilidade. Mas o mundo do futebol da muitas voltas. Não podemos falar em planejamento, principalmente para um time de futebol, quando oito de seus melhores atletas são rifados... 

É certo também, que muitas dessas coisas, quanto se ganha, quanto se paga, são de foro interno do clube, por inúmeras razões. Mas será que esqueceram até aquela conversa de que nossos jogadores estavam blindados por altas multas rescisórias?  

Ao que parece, o futebol é mais do que uma “caixinha” de surpresas. Falaram por falar. Justificaram por justificar. A contradição está tomando conta de todos os poros na Ressacada.  

Estamos chegando ao final do primeiro mês do ano e conseguimos algo difícil de entender. Mesmo vencedores, mesmo saindo de um ano que jamais será esquecido, estamos perdendo público nas arquibancadas. Logo o avaiano, tão apaixonado durante seus anos de jejum, divorciado de sua paixão quando deveria estar vibrando mais do que nunca... 

Na vida, as desilusões amorosas são resolvidas de forma mais simples. Troca-se de mulher como quem troca de automóvel, ainda que se gaste um pouco com pensões... Mas nunca vi ninguém trocar de time por causa de uma desilusão... 

E no nosso Avaí, a desilusão veio no preço do ingresso, no aumento da mensalidade, nas palavras jogadas ao vento...



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