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  • Carlos Aguiar

    Alexandre Carlos Aguiar, 48 anos formado em Biologia pela UFSC, atua como analista em laboratório clínico, pai de dois filhos e marido da dona Tania. É torcedor apaixonado do Leão e sócio há muitos anos.

    Colunista desde 28/11/2009
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21/12/2009

A Apoteose


Poderia utilizar um título menos carregado para estas linhas de hoje, uma vez que isso remete à deificação, à divinização de um ser humano numa empreitada gloriosa em sua vida, e minhas inclinações passam ao largo de qualquer manifestação do gênero.

Também para a pessoa notável que quero descrever, tratar sua carreira à frente do nosso Leão da Ilha com algum endeusamento seria por demais presunçoso. Não. Definitivamente não! O culto à personalidade é tudo o que menos deseja o presidente do Avaí, João Nilson Zunino, a figura de quem quero falar.

Algumas pessoas que me conhecem sabem de minha relação de trabalho com ele, em sua empresa, em mais de 29 anos. Outros que não tem o suficiente conhecimento de minha personalidade, por uma lógica bipolar qualquer, imaginam que seria impossível eu expor a opinião que tenho sobre toda esta situação. Pois eu falo do que vi e o que vivenciei nestes anos, sem adulações algumas, com independência garantida.

A apoteose diz respeito mais ao desafio assumido que aos resultados obtidos. O Avaí Futebol Clube, até 2002, como em grande parte dos clubes de futebol em SC e mesmo no Brasil, era uma entidade empobrecida pelos anos de administração amadora. Não se imputa culpa a ninguém por isso, uma vez que clubes de futebol no Brasil são ainda geridos como instituições filantrópicas, embora em seus meios rios de dinheiro fluam soltos e sem qualquer controle.

Mas, exatamente por seu caráter amador, o futebol gerou e fez nascerem dezenas e dezenas de personalidades interessadas em sustento próprio e dos seus, ou ainda, e em conjunto a isso, transformarem-se em ícones nos meandros desta atividade. Muita gente fez carreira na política, por exemplo, administrando times de futebol. E os exemplos vão se somando.

Quando chegou à frente do Avaí como presidente, João Nilson Zunino apostou em transformar essa realidade em algo organizado e planejado, com resultados para médio e longo prazo, exatamente como se faria numa empresa de qualquer outro ramo. E, para isso, houve a necessidade de quebrar paradigmas, de transformar um outrora complexo amador em algo profissional. E foi ai que veio o sofrimento. Ninguém, no ramo do empreendedorismo, se incomoda, absurdamente, se numa empresa os resultados não apareçam de imediato, pois há a necessidade da adequação ao sistema do mercado.

Há a paciência, o re-investimento e, em certas situações, revisão de processos. Mas, no futebol, os resultados devem, precisam, obrigatoriamente tem que ser imediatos. É da natureza desta atividade. Os amadores até conseguem isso. Investem em uma, duas, às vezes até três ou quatro temporadas em times de aluguel, em estruturas grandes, mas embasadas em castelos de areia.

O resultado disso são as quedas abissais e avassaladoras, cuja retomada requer mais energia do que se poderia dispender em situações normais. O processo de ascensão se torna longo, baseado em projetos duvidosos, com resultados pífios. Zunino não quis isso. Nunca almejou tal situação. Jamais enveredou por este caminho. Preferiu a perseverança, o trabalho braçal, a empreitada desafiadora. Abdicou do resultado fácil para solidificar o processo de estruturação do Avaí como um todo, da forma mais difícil, porém mais duradoura.

Enganam-se alguns, portanto, quando ingenuamente vêm agora insinuar que suas críticas é que fizeram o Avaí “retomar” o caminho vencedor. Pobres inocentes! Não sabiam o que realmente ocorria na Ressacada nestes tempos quando afirmam isso. Quem percebia o trabalho sendo executado naqueles dias tinha a exata noção que era uma questão de tempo, uma oportunidade para que os bons ventos voltassem a soprar no reduto avaiano.

E foi o que se deu. A apoteose que quero consagrar a João Nilson Zunino é exatamente por estes dias de paciência, garra e determinação. E por ter acreditado em seu projeto. O que veio agora deve ser enaltecido, ora, se não, mas o que passou deve ser valorizado, para nunca mais esquecermos.

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