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  • Carlos Aguiar

    Alexandre Carlos Aguiar, 48 anos formado em Biologia pela UFSC, atua como analista em laboratório clínico, pai de dois filhos e marido da dona Tania. É torcedor apaixonado do Leão e sócio há muitos anos.

    Colunista desde 28/11/2009
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16/12/2009

Quem entende do que?


Costumo tomar um vinhozinho de vez em quando. Com carnes vermelhas, os tintos, e com frutos do mar, os brancos. São bebidas que remetem aos nobres da Antiguidade e têm referências na História. Ou seja, é uma bebida milenar e o conceito do “melhor vinho” é para o seu bebedor. 

Por isso, me divertem as teses e teorias ditas por “doutos” sobre o aroma, sobre o sabor, a cor, a consistência, etc e tal. Gostaria muito saber o que significa “varietal com reminiscências amadeiradas”, ou 
“leve aroma de flores campestres”. Ou ainda, “competente e com personalidade”, como costumam dizer de um Bordeaux. Vinho é produto da fermentação de uvas, portanto um processo natural, e as papilas gustativas são complexos anatômicos presentes na língua conectados a terminações nervosas com características genéticas distintas a cada um vivente. Imputar isso ao coletivo e impor como expressão da verdade baseado em lógica pseudo-científica é perda de tempo. Não se deve, dessa forma, falar bobagens apenas para que se pareça entendido. 

Sugiro avaliar, investigar, analisar e, daí sim, expor uma opinião. O que quero com essa arenga e o que isso tem a ver com o Avaí?

Ora, estou até o pescoço, enfarado, apoquentado de tanta crítica pela condução desta etapa de montagem do time do Avaí Futebol Clube para o próximo ano. Há que existir crítica? Claro que sim, mas quando é necessária. Porque, agora, é emburrecente e presunçosa. Na condução das coisas profissionais, não se impõem conceitos etéreos, sofismáticos e superficiais, e nem fórmulas prontas para decidir vidas 
e carreiras, tampouco comparações estapafúrdias com os fracassados. Porém, é o que está acontecendo por aqueles os quais se espera um pouco mais de responsabilidade, cujos reflexos se estendem até o 
torcedor comum.

Do torcedor comum, que se porta pelo “efeito manada”, ou “de maré”, empurrado de um lado a outro de acordo com as eventualidades, pouco de responsabilidades se cobram. Mas de quem detém a informação, ou se posta a divulgar informações, cobra-se um pouco mais de concisão nas críticas e mais investigação dos fatos. Tanto no elogio quanto na admoestação. Má fé e má vontade não condizem como comportamento para um bom analista.

Honestamente falando? Quanta falta de personalidade e quanta volubilidade. Até ontem, até semana passada para ser mais exato, éramos o 6º melhor time do Brasil, dito com orgulho por 10 em cada 10 
avaianos, repetíamos as frases de jornalistas famosos pelo país do  futebol afora, de sermos a sensação do campeonato, gozávamos do rival pela sua incompetência, ostentávamos a bandeira e a camisa como um troféu de batalha.

Porém, bastou o Avaí ter que se portar como um time de futebol de verdade, com negociações e contratos necessários e inevitáveis, com jogadores valorizados tendo que seguir a sua vida profissional, com a 
chegada de outros para compor o elenco, para que as viúvas de ocasião e os modinhas de sempre se portarem como seu costume, como oportunistas e corneteiros contumazes. Acabou tudo aquilo? Deixamos de ser “bons” em algum lugar? Estamos fadados ao fracasso graças à condução das coisas que os “doutos” corneteiros e negativistas de ocasião acham que deve ser do seu jeito?

Os jogadores que estão saindo cumpriram seu papel. Acabou! Os que continuam, se quiserem ficar no Avaí, devem se adequar às condições do Avaí. O treinador que saiu fez um ótimo trabalho, mas vai seguir a sua vida e com o trabalho que agora será estabelecido para ele em outro lugar, defendendo outras cores. O que chegou tem um longo e árduo trabalho daqui por diante e deve contar com o nosso apoio e não com a nossa cara feia. Ele agora é treinador avaiano. Ninguém, nessa história toda, é mercenário, traíra ou vendido. Todos são profissionais. É da vida do futebol. Sem elucubrações ou conceitos vagos.

Não dá pra imaginar que tenhamos uma carta pronta, uma fórmula única, um modelo básico de fazer futebol e, daí, querer que todos sigam o mesmo exemplo. Repito à exaustão: o Avaí da atualidade tem um projeto e um planejamento, discutido entre pessoas competentes e comprometidas. E será vencedor com isso. Qualquer coisa dita fora deste contexto é mera leviandade, ou síndrome de maria vai com as outras. As OUTRAS, no caso, a gente sabe quem são, cuja sigla é muito famosa na mídia local, por sinal.

Recomendo, aos incautos e impacientes, um chardonay geladinho pra refrescar a cachola.



Comentários

  • Kk falou: Como gosto mais de um branco argentino, o torrontes, vou tomar esse, bem traquila e feliz!!!


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