O futebol brasileiro, versão 2009, além da consagração do Flamengo e da excelente campanha do Avaí, proporcionou, também, eventos hilários e dignos da melhor comédia bufa por parte de algumas torcidas espalhadas pelo Brasil. Claro que em alguns casos a comédia virou tragédia, mas, ainda assim, a falta de noção para determinados torcedores não nos deixa esconder aquele risinho no canto da boca.
A paixão, esse sentimento que move o comportamento de um fã de futebol, tem estudos consagrados na psicanálise, pois, em certos momentos a razão, apanágio da condição de sermos humanos, é deixada em casa, ali, naquela estante onde guardamos a decência e a dignidade. Ao assumir sua condição de torcedor, o humano perde a razão e se transforma no mais puro exemplo de paixão ambulante e que empatetiza o vivente. E é aí que as ações se tornam perigosas, se não controladas.
O principal exemplo de conduta patética, embora perniciosa e criminosa de torcedor apaixonado, que perde toda e completa razão, foi a invasão de campo da torcida do Coxa no último domingo, após seu time ser rebaixado. Qualquer tentativa de relativizar aquilo, atestando que viviam momentos decisivos, que suas angustias perfundiam à pele, é perda de tempo. Como disse o poeta, quem ama não mata. Nada, nenhuma explicação justifica aquela barbárie e isso tem que ser definitivamente afastado dos campos. Se possível, pela Justiça.
O segundo exemplo de ópera que beira à bizarrice foi a exigência por parte da torcida do Grêmio para que seu time perdesse o jogo para o Flamengo. Ora, foi uma das manifestações mais deprimentes de não-amor de um torcedor pelo seu time de futebol, levando, inclusive, certos torcedores a hostilizar os jogadores que jogaram bem contra o Flamengo na partida final. Poderiam não assistir ao jogo, quem sabe fossem ao parque dar milho aos marrecos, que levassem seu cachorrinho para fazer caquinha na grama, que fossem chupar um picolé devido ao forte calor, sei lá, mas que não se comportassem daquela maneira, fazendo beicinho porque seu rival poderia ser campeão. Torcer contra o seu time é como atentar para a revogação da lei da gravidade. Acaba-se perdendo o rumo e a estabilidade.
E o terceiro pateta do ano não veio da elite do campeonato brasileiro, mas da segundona, aliás, do co-irmão rebaixado (aquele, não tem?). Todos os times de futebol, no mundo todo, quando rebaixados, precisam ainda mais do apoio da sua torcida. É aí, quando o calo aperta e quando a cuíca geme que o verdadeiro torcedor deve estar presente. Vários “grandes” clubes brasileiros tiveram êxito em seu retorno à série A, quando rebaixados, exatamente pelo apoio de sua torcida na recuperação. Pois eis que o dito cujo, o moribundo, teve sua torcida pedindo “público zero” em determinado momento do campeonato. Isso mesmo. Foram convidados a não ir ao campo para apoiar o time, no momento em que ele mais precisava do torcedor. É ou não é patética e deprimente tal postura? Talvez seja este um dos motivos de terem que passar mais um ano remando e remando. Ai, minha barriga dói de tanto rir!
Por isso, cada vez mais o Leão da Ilha, o 6º melhor time do campeonato mais disputado do mundo, tem do que se orgulhar. Tem uma das torcidas mais fantásticas desse brasileirão, que apóia, faz festas, ri, chora, mas, acima de tudo, torce com paixão sem esquecer sua razão. A razão de ser avaiano.
Evandrobsmv falou: Salve salve Carlos! Parabéns pela Coluna O terceiro pateta ai foi o melhor hauhuahuahuah Abraço
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