Domingo sempre foi um dia especial na vida de muitas pessoas. Para os que ficam em casa é o dia daquela cochiladinha até mais tarde, de ler um indispensável livro, um jornal, no verão dar aquela passeadinha na praia, encontrar os amigos, tomar uma cevadinha gelada, comer um peixinho, ou aquela picanhazinha contorcendo-se na grelha. Enfim, o domingo é dia feito para viver a vida e recuperar os neurônios. E aí o sujeito chega na 2ª feira a mil.
Mas domingo também é o dia consagrado ao futebol. É da cultura do brasileiro. Pois eu estava me dando conta, só agora, que o futebol aos domingos na Ressacada acabou. É. Só no ano que vem, em 2010. Que coisa!
E que saudades me trazem as lembranças dos domingos jogados na Ressacada neste ano. Por favor! Desde o Catarinense até o jogo contra o Curintia foram muitas emoções. No último jogo, contra o Santos, a emoção estava do lado de fora do gramado. A emoção personificou-se no técnico Silas e estava ali, na lateral, ao ouvirmos os seus últimos gritos e assobios no comando técnico do Avaí.
Hoje, quem passar ao lado de nosso magnífico templo de operetas sente uma angústia, um aperto, sabe que está faltando alguma coisa, algo que nos cativou, que nos atraiu a esses momentos mágicos nos últimos meses. E que momentos! E que mágica!
Não fui ao jogo naquele domingo da despedida de nosso comandante por uma questão particular, de saúde. Mas em casa assisti àqueles instantes inesquecíveis. Veio-me na memória a emoção das perdas, dos amigos e parentes que nos deixaram. Lembro que recentemente se perdeu Mercedes Sosa, uma ícone de minha geração, daqueles que lutaram por dias melhores no Brasil, dos que, inferiorizados pelos ditames da cultura ocidental, que faz prevalecer o poder e a opressão, superaram-se pela garra e pela luta. Perdeu-se uma trovadora, uma menestrel implacável que lutava pela auto-afirmação dos povos sul-americanos.
Querendo ou não isso muito lembra a trajetória de nosso Leão da Ilha. E que agregará à sua história algumas “batalhas” pela América do Sul no próximo ano.
Sua garra, sua vontade de vencer, sua luta, enfrentando adversidades nos faz pensar o quanto somos orgulhosos em ter como canal de nossas angustias e objetivos o Avaí Futebol Clube. Alguns dizem, “mas é só futebol”. Pois nós, torcedores avaianos, dizemos, é mais do que isso, é uma paixão inominável, intangível. Já descrevi por aqui o que é esse sentimento avaiano.
Gracias a La vida, que me ha dado “el sueño” dos domingos de pura emoção no futebol. Que me há dado Silas, el comandante das emoções. Gracias a La vida, que me ha dado o Avaí Futebol Clube, la nuestra passión.
P. S. estou exercitando meu espanhol, pois ano que vem vou acompanhar o Avaí em Buenos Aires, Santiago, Lima, Quito, etc, etc. Aliás, só um time em Floripa fará isso.
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