Uma tarde-noite inesquecível na Ressacada neste domingo (29). Não pelo jogo em si, que teve um primeiro tempo brilhante e uma outra etapa de dar sono. Mas pela carga emocional em que estava envolta a despedida de Silas do Avaí.
Estivemos presentes na inédita entrevista coletiva, que se misturou as homenagens prestadas ao treinador. Tudo dentro de uma extrema elegância e cordialidade, entre os dirigentes do clube e o técnico que sai.
A pergunta comum, quer nos bares, quer nas arquibancadas, era: se está tão bom, por que dispensar?
Após o anúncio em nota oficial de que não mais renovaria com Silas, a diretoria avaiana alegou divergências salariais, que não poderia competir com as propostas de outros clubes, enquanto Silas nega que o acordo não realizado tenha passado pelo aspecto financeiro.
Clube e técnico estão juntos desde março de 2008, o que por si só, traz um desgaste natural. Além desses ingredientes de um relacionamento duradouro, há outros que interferiram neste caso.
A parceira com a LA Sports, que deu suporte nos últimos anos ao Avaí, através do empresário Luiz Alberto Oliveira, quer formar um time ainda mais forte para 2010, com a contratação de novos jogadores. Silas também queria. Mas o ponto de discórdia entre os dois, foi a renovação de contrato de alguns atletas indicados pelo técnico.
Além disso, no relacionamento com o coordenador de futebol, Moisés Cândido, havia pontos de divergências. Moisés é reconhecido dentro do clube como uma pessoa fundamental no andamento do futebol avaiano. O técnico, grande comandante dentro das quatro linhas, começou a opinar mais fortemente fora de sua “área”.
Para piorar, há ainda a presença de um ex-jogador do time do Estreito, Adriano, que se identificou como um dos procuradores de Silas, que teria dado com a língua nos dentes, ao afirmar que o técnico já estava em negociações muito adiantadas com o Grêmio, enquanto conversava com o Leão...
O não comparecimento de Silas na reunião do dia 24 próximo passado, para definir sua situação no Avaí, tendo ficado em São Paulo após o jogo contra o Santo André, foi a senha para que as negociações tivessem o final apresentado.
Nada a lamentar. Temos, sim, que agradecer ao treinador pelo trabalho desenvolvido no Avaí nos últimos dois anos, de extremo sucesso. Logo Silas, tão questionado por muitos, chegou e trouxe a cara vencedora que o Avaí merece. Silas veio como criança e sai do Avaí como um adulto, coberto de razões e seguindo os passos dos treinadores inteligentes, estudiosos e íntegros, sem acordo espúrios com a mídia de elogios fáceis.
Por outro lado, há que se reconhecer que o Avaí já não é mais aquele time sem rumo, clube sem condições de estar entre os grandes do futebol brasileiro. O Leão tem uma estrutura enxuta, que cresce a cada ano, e não será em função de um nome que tudo perderá sua direção.
Cada qual com sua razão. Segue a vida! Segue o Avaí! Segue Silas! Todos maiores e melhores do que quando começaram o relacionamento...
Carlos Aguiar falou: Essa tua frase final é perfeita! Todos maiores. Tem muita gente, muitos avainaos inclusive, que acham ter havido uma bobeira da diretoria, que Marquinhos é ingênuo, que Silas foi precipitado e coisas assim. Desculpe ter que desapontar alguém, mas a realidade não é exatamente aquilo que nos parece. O Avaí cresceu muito e se alguns avaianos não prestarem atenção, vão ficar na poeira.
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